Para se trabalhar construtivamente em equipe é necessário calibrarmos corretamente o nosso etnocentrismo, ou seja, a tendência que temos de julgar os acontecimentos ao nosso redor através do nosso próprio juízo de valor.
A capacidade de interagir eficientemente em um grupo de trabalho deve nos permitir enxergar também os acontecimentos através da ótica de valores das outras pessoas que estão trabalhando conosco.
Diante de um mundo globalizado é muito comum dividirmos nosso espaço corporativo com profissionais de culturas diferentes, hábitos divergentes e crenças totalmente opostas às nossas. Para que possamos extrair o máximo desta pluralidade de valores e riqueza cultural é imperativo que saibamos conviver com as diferenças, sem contudo, deixarmos de ser nós mesmos. É importante enxergar o outro não como um estranho, mas como ele realmente é; uma outra pessoa.
Equipes multiculturais quando sinergicamente dispostas, com capacitação contínua, formam equipes competitivas de alta performance e equipes competitivas de alta performance constroem empresas de sucesso, vencedoras!A capacidade de sermos assertivos, decididos em nossos valores, nossas crenças e principalmente nossas ações, não nos dá o direito de julgarmos como certo ou errado, o jeito de ser ‘das pessoas que divergem no seu escopo, dos nossos valores, crenças e atitudes. A capacidade de compreender as verdadeiras intenções das pessoas com as quais convivemos, em uma dimensão bem maior do que as barreiras culturais que nos separam, nos ajudam e muito, a pensarmos extensivamente, de forma mais ampla, e nos preparam para que com isto possamos entender o que é realmente viver em sociedade, dentro de um ambiente globalizado, competitivo, mas que nem por isto deva ser menos humano e solidário.
Trabalhei muitos anos como instrutor do SENAR/MG.
Em um dos cursos os quais ministrei, tive como aluno um oficial reformado do exército, que durante os intervalos do curso, contou-me um relato bastante interessante sobre o que venha a ser divergência cultural.
Relatou-me que tinha servido na Amazônia, como jovem oficial e que fora incumbido pelos seus superiores juntamente com representantes da FUNAI, resolver uma contenda entre os índios de uma reserva e trabalhadores de uma madeireira da região. Após horas de discussão o cacique da tribo aceitou as desculpas e convidou a todos para celebrarem no ritual indígena a resolução do caso.
Escolheram para o ritual uma erva amazônica bastante nutritiva, porém muito fibrosa e com sabor amargo. Alguns índios da tribo junto com o cacique mastigavam a erva, sugavam o amargor dela e as cuspiam em uma cuia para que ele e os demais representantes a comessem. Aos nossos “olhos civilizados” este gesto era aparentemente algo nojento, impensável para pessoas civilizadas praticarem, porém na cultura indígena simbolizava: amizade, carinho pelo outro, pois os índios dilaceravam as fibras da erva com os seus dentes, sugavam para si todo o amargor e presenteavam seus amigos com o alimento amaciado intimamente por eles, para que pudessem comê-lo sem desprender nenhum esforço ou amargor, simplesmente degustá-lo e nutrir-se com as suas propriedades medicinais. Eles comeram “demonstrando” satisfação. Alguns nem olhavam para a cuia, simplesmente pegavam o alimento e colocavam na boca, “aparentando” agrado e sabor ao degustá-lo. Ao término da refeição houve música e muita animação, tendo todos ficados satisfeitos com o desfecho que o incidente havia tomado. Ele, o meu aluno, confessou-me que após ter chegado à Unidade onde servia, passou 3 dias tomando água e alimentando-se exclusivamente de frutas para “fazer uma limpeza intestinal”.
Ter empatia, compreender aquilo que o outro quer dizer; expressar com os seus gestos e atitudes é imperativo para se chegar a um senso comum, mesmo em culturas aparentemente tão diferentes.
Aprenda a entender os outros ao seu redor, procure enxergar a vida pelas “lentes” daqueles que convivem com você, não é necessário que você deixe de ser você mesmo, mas é importante que não discrimine ninguém que não concorde com o seu jeito de ser e pensar.
Conviver, também é além de descobrir semelhanças ; compartilhar diferenças!
Lembre-se disto ao discutir sobre seus relacionamentos pessoais e profissionais!
Sucesso!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
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